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Purificadores e filtros

Purificadores e filtros de água: o que cada um retém, o selo do Inmetro e o custo por litro

A água da rede já sai potável; o purificador melhora gosto, cheiro e partículas e protege contra o que a caixa d'água acrescenta. Saber o que cada tecnologia faz evita pagar por osmose quando um bom carvão bastava.

Por Redação EcoamazoniaAtualizado em 11 min de leitura

Purificador de água de parede ao lado de um filtro de barro e de um copo cheio na bancada da cozinha

Um purificador de água certificado pelo Inmetro faz três coisas, cada uma medida por ensaio da norma ABNT NBR 16098: retém partículas (a classe A é a mais fina, a partir de 0,5 micrômetro), reduz pelo menos 75% do cloro livre (o que tira o gosto e o cheiro) e, quando aprovado no ensaio bacteriológico, reduz em 99% (2 logs) a bactéria E. coli usada no teste. Carvão ativado cuida do cloro e do gosto; vela de cerâmica e membranas finas cuidam das partículas; a lâmpada UV inativa micro-organismos; a osmose reversa é a única das quatro que tira sais dissolvidos. Para a água da rede, que já sai potável, um purificador com classe A de partículas e redução de cloro aprovada atende a maioria das casas. Osmose só se paga quando a água tem excesso de sais, como em poços de água salobra.

Este é o guia-mãe da seção. As escolhas por tipo de aparelho estão em purificador elétrico, filtro de barro, torneira com filtro e osmose reversa.

0,5 µmmenor partícula da classe A da NBR 16098
75%redução mínima de cloro livre para aprovação
2 logsredução de 99% da E. coli no ensaio bacteriológico
5 mg/Lmáximo de cloro residual livre na água potável

O que cada tecnologia de filtro retém?

Nenhuma tecnologia faz tudo. O que muda de um aparelho para outro é a combinação de etapas dentro do refil e a finura de cada uma. Veja o que cada uma faz, em termos práticos:

O que cada tecnologia de purificação faz e o que ela não faz
TecnologiaComo funcionaRetém ou reduzNão resolve
Carvão ativadoAdsorção: o cloro e compostos orgânicos grudam na superfície porosa do carvãoCloro livre, gosto, cheiro, parte dos compostos orgânicosSais dissolvidos, dureza; sozinho, não é barreira para bactérias
Cerâmica (vela)Filtração mecânica por poros muito finosPartículas, turbidez e boa parte dos micro-organismos maioresCloro e gosto (a não ser que a vela tenha carvão no miolo), sais
Elemento de polipropileno ou membranaFiltração por malha de fibras ou membrana de microfiltraçãoAreia, ferrugem, sedimento; membranas finas retêm bactériasCloro (exige carvão junto), sais
Lâmpada UVRadiação ultravioleta danifica o material genético de bactérias e vírusInativa micro-organismos que passam pela lâmpadaPartículas, cloro, sais; perde efeito com água turva
Osmose reversaPressão força a água por uma membrana semipermeável; o resto vai para o rejeitoSais dissolvidos, dureza, nitrato, a maior parte dos contaminantesGera água de rejeito; tira também minerais; precisa de pré-filtro e manutenção

Dois detalhes ajudam a ler a tabela. Primeiro, quase todo purificador de mesa ou de parede é uma combinação: um pré-filtro de partículas, um bloco de carvão ativado e, em alguns, um componente com prata ou uma etapa de UV. Segundo, filtrar não é desinfetar no sentido sanitário. A própria Portaria GM/MS 888/2021, no art. 33, exige que sistemas de abastecimento que usam ozônio ou ultravioleta como desinfetante adicionem também cloro, para manter residual no reservatório e na rede. O UV age só no instante em que a água passa pela lâmpada; depois dele, nada protege a água guardada.

O filtro de barro com vela continua valendo. Na cisterna familiar do Programa Cisternas, o Ministério do Desenvolvimento Social manda entregar a cada família um filtro de barro de 8 litros com uma vela, que a instrução normativa considera um dos equipamentos mais eficientes para a retenção de partículas e de micro-organismos com potencial de causar doenças. A comparação direta está em filtro de barro ou purificador.

Como ler o selo do Inmetro no purificador?

Purificadores de água têm certificação compulsória do Inmetro. A regra em vigor é a Portaria Inmetro nº 102, de 22 de março de 2022, que consolidou os requisitos para equipamentos para consumo de água; as portarias anteriores (344/2014 e 92/2017) tiveram revogação prevista para 1º de setembro de 2023. Os ensaios seguem a ABNT NBR 16098:2012, "Aparelho para melhoria da qualidade da água para consumo humano: requisitos e métodos de ensaio". No aparelho, procure o selo de identificação da conformidade e a marcação com as três classificações: retenção de partículas, redução de cloro livre e eficiência bacteriológica.

Classes de eficiência de retenção de partículas da NBR 16098:2012
ClasseTamanho de partícula retidoNa prática
Ade 0,5 a menos de 1 µmA mais fina; é a exigida em muitas compras públicas
Bde 1 a menos de 5 µmMuito boa para turbidez e sedimento fino
Cde 5 a menos de 15 µmBoa para areia fina e ferrugem
Dde 15 a menos de 30 µmRetenção grossa
Ede 30 a menos de 50 µmPré-filtro
Fde 50 a menos de 80 µmSó sujeira visível

Para o cloro e para as bactérias, a NBR 16098 não tem escala de letras: o aparelho é aprovado ou não. Na redução de cloro livre, a aprovação exige redução de pelo menos 75%. Na eficiência bacteriológica, o ensaio contamina a água com Escherichia coli (cepa ATCC 11229) em concentração inicial de 1 × 10⁵ a 9 × 10⁶ UFC por 100 mL e exige redução mínima de 2 logs, ou seja, 99% das bactérias retidas ou inativadas. Esses valores de referência estão reproduzidos no termo de referência de compra de purificadores da Prefeitura de São Paulo, que pede justamente classe A de partículas, aprovação em cloro livre e aprovação bacteriológica.

Aparelhos mais antigos e alguns refis ainda trazem a marcação da norma anterior, a NBR 14908:2004, com algarismos romanos. Ali as partículas iam da classe P-I (0,5 a 1 µm) à P-VI (50 a 80 µm), e o cloro tinha três classes: C-I (75% ou mais), C-II (50% a 74,9%) e C-III (25% a 49,9%). A mesma norma tinha o ensaio de controle do nível microbiológico, que verifica se o próprio aparelho não multiplica bactérias: com Pseudomonas aeruginosa na água de entrada, a saída não pode passar da concentração inicial com mais de 10% de tolerância. Se você vir "P-I" e "C-I" num selo, leia como o equivalente da classe A com cloro aprovado.

O que a Portaria 888 diz da água que chega da rede?

A Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021, é o padrão de potabilidade do Brasil. Para quem vai escolher purificador, quatro pontos dela importam:

  • Cloro na torneira. O art. 32 obriga a manter no mínimo 0,2 mg/L de cloro residual livre em todo o sistema de distribuição, incluindo reservatório e rede, e nos pontos de consumo. O padrão de potabilidade aceita até 5 mg/L de cloro residual livre. Ou seja: sentir cloro na água da torneira é normal e é sinal de proteção; o purificador tira o gosto na hora de beber.
  • Bactérias. Na rede e nos pontos de consumo, o padrão é ausência de Escherichia coli em 100 mL. O mesmo vale para a casa abastecida por poço próprio, que a portaria chama de solução alternativa individual.
  • Aspecto, gosto e cheiro. O padrão organoléptico fixa, entre outros, turbidez de até 5 uT, dureza total de até 300 mg/L, sólidos dissolvidos totais de até 500 mg/L e ferro de até 0,3 mg/L. Água fora desses limites não é necessariamente perigosa, mas tem gosto, cor ou mancha.
  • Responsabilidade até onde. A portaria define a rede de distribuição como a parte do sistema que leva a água potável até as ligações prediais. Da ligação para dentro, incluindo a caixa d'água, a conservação é sua: é ali que a água perde cloro e ganha sedimento quando a caixa fica sem limpeza.

Por isso o primeiro "filtro" da casa é a caixa d'água limpa e tampada. Um purificador não compensa reservatório sujo, e nenhum purificador doméstico torna potável uma água que não é. Quem usa poço deve fazer a análise em laboratório antes de escolher o aparelho: veja poço artesiano e poço raso.

Quanto custa cada litro de água filtrada?

O preço do aparelho engana. O que pesa ao longo dos anos é o refil. A conta é simples: custo por litro = preço do refil ÷ litros de vida útil do refil. Some, se houver, a energia (purificador refrigerado gasta luz no compressor ou na pastilha termoelétrica) e, na osmose, a água do rejeito.

Exemplos de custo por litro (valores ilustrativos: use o preço e a vida útil do seu modelo)
SituaçãoRefilVida útilCusto por litroFamília que bebe 8 L/dia, por ano
Purificador de paredeR$ 1203.000 L ou 6 mesesR$ 0,04cerca de R$ 240 (2 refis)
Torneira com filtroR$ 601.000 LR$ 0,06cerca de R$ 180
Filtro de barroR$ 30 por vela (2 velas)cerca de 6 mesesabaixo de R$ 0,03cerca de R$ 120
Galão de 20 LR$ 15 a recarga20 LR$ 0,75cerca de R$ 2.190

Repare na última linha: perto do galão, qualquer filtro de bancada se paga em poucos meses. Repare também na coluna de vida útil: quase todo fabricante dá um limite em litros e outro em meses, e vale o que chegar primeiro. Refil vencido não só para de tirar o cloro; o carvão saturado pode virar abrigo de bactérias. Faça a sua conta com o preço real do refil na calculadora abaixo.

A mesma conta está em página própria, a calculadora de custo por litro de água filtrada, para comparar dois ou três aparelhos antes da compra.

Quando a osmose reversa faz sentido?

A osmose é a tecnologia mais completa, e também a mais cara de manter. Ela faz sentido em três situações: água de poço com excesso de sais (salobra, com gosto salgado ou sólidos dissolvidos acima de 500 mg/L, o limite organoléptico da Portaria 888), análise de laboratório que mostrou nitrato ou outro contaminante dissolvido que o carvão não tira, e água muito dura que mancha tudo. Para a água da rede em quase todas as cidades, ela é exagero.

Antes de comprar, saiba de três custos. O rejeito: para cada litro de água pronta, o aparelho manda vários litros para o esgoto; a ficha do modelo informa a proporção, e ela muda com a pressão de entrada. A pressão: abaixo de um mínimo, a membrana quase não produz, e em casa com caixa baixa pode ser preciso bomba. A manutenção: pré-filtros a cada poucos meses e membrana a cada dois ou três anos, conforme a água. A água sai com poucos minerais; alguns modelos têm cartucho remineralizador no fim. Tudo isso está detalhado em osmose reversa.

Purificador elétrico, torneira com filtro ou filtro de barro: qual escolher?

A escolha prática depende de três coisas: se você quer água gelada, quanto espaço tem e quanto quer gastar por ano.

  • Purificador elétrico de parede ou bancada: para quem quer água gelada na hora e não quer pensar no assunto. Exige ponto de água e tomada perto. Gasta energia na refrigeração. Veja purificador de água.
  • Torneira com filtro: ocupa quase nada, instala no lugar da torneira da pia e custa pouco. Vazão e vida do refil são menores. Veja torneira com filtro.
  • Filtro de barro: sem energia e sem ligação hidráulica, ótimo para casa de campo, sítio e cisterna. Exige lavar a vela e o filtro com regularidade. Veja filtro de barro.

O que procurar ao comprar. Selo do Inmetro com classe A de partículas, cloro aprovado e aprovação bacteriológica; preço e vida útil do refil original (é o custo que fica); refil fácil de achar na sua cidade; vazão de pelo menos 1 litro por minuto para não perder a paciência; e, no elétrico, a classificação de consumo de energia. O ranking com os modelos que passam nesses critérios fica em melhor purificador de água.

Como instalar e cuidar do purificador para ele funcionar de verdade?

  1. Ligue na água certa. O ponto do purificador deve vir de água potável, da rede ou da caixa limpa. Nunca de cisterna de água de chuva.
  2. Respeite a pressão. O manual traz pressão mínima e máxima de trabalho. Com pressão alta da rua, um redutor de pressão protege o aparelho; com caixa baixa, alguns modelos produzem pouco.
  3. Descarte a primeira água. Refil novo solta pó de carvão: deixe correr alguns litros, como manda o manual.
  4. Anote a data da troca. Cole uma etiqueta com a data e a leitura do contador, se houver.
  5. Limpe o bico e o reservatório. Bico e reservatório de água gelada acumulam biofilme; siga a limpeza do fabricante.
  6. Viagem longa? Ao voltar, deixe correr água por alguns minutos antes de beber.

Perguntas frequentes

O que significa classe A no purificador?

É a classe mais fina de retenção de partículas da NBR 16098: o aparelho retém partículas a partir de 0,5 até menos de 1 micrômetro. As classes vão de A (mais fina) a F (mais grossa).

Purificador tira o cloro da água?

Os certificados, sim: a aprovação na NBR 16098 exige reduzir pelo menos 75% do cloro livre. Quem faz esse trabalho é o carvão ativado do refil, que perde eficiência quando passa da vida útil.

De quanto em quanto tempo troco o refil?

No prazo do fabricante em litros ou em meses, o que vier primeiro. Em geral fica entre 6 meses e 1 ano para uso doméstico; água com muito sedimento encurta esse prazo.

Filtro de barro é seguro?

É uma barreira eficiente para partículas e boa parte dos micro-organismos, tanto que o Programa Cisternas entrega um filtro de 8 L com vela a cada família. A vela precisa ser lavada sem sabão e trocada no prazo.

Vale a pena osmose reversa para água da rede?

Raramente. A água da rede já atende ao padrão de potabilidade; um purificador com carvão e classe A resolve gosto e partículas por bem menos. A osmose compensa em água salobra ou com contaminante dissolvido identificado em análise.

Fontes e normas

  1. Prefeitura de São Paulo, Termo de Referência ARP 001/2023 (valores de referência da NBR 16098:2012 e Portaria Inmetro 102/2022)
  2. Prefeitura de São Paulo, termo de referência de purificadores (classes da NBR 14908:2004 e marcação)
  3. Portaria GM/MS nº 888/2021 (padrão de potabilidade), cópia do CEVS-RS
  4. MDS, Instrução Normativa SESAN nº 51/2024, cisterna de placas de 16 mil litros (filtro de barro de 8 L)

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