Energia solar em casa
Energia solar vale a pena em 2026? A conta para casas de 200, 400 e 800 kWh
Fizemos a conta para três tamanhos de casa em três capitais, com a tarifa real da distribuidora, o sol medido pelo CRESESB, o Fio B de 2026 e o custo de disponibilidade. Também mostramos quando a resposta é não.
Por Redação EcoamazoniaAtualizado em 9 min de leitura

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Sim, energia solar vale a pena em 2026 para a maioria das casas com conta acima de uns 150 kWh por mês. Nas nossas simulações para casas de 200, 400 e 800 kWh em São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza, com o preço médio de R$ 2,45 por Wp, a tarifa real de cada distribuidora, o Fio B subindo de 60% em 2026 até 100% em 2029, o custo de disponibilidade e manutenção, o sistema se paga em 2,4 a 4 anos e deixa um saldo de R$ 24 mil a R$ 137 mil em 25 anos. Não vale a pena quando o consumo é muito baixo, o telhado tem sombra, você vai se mudar logo ou a parcela do financiamento passa da economia.
Como fazer a conta de payback da energia solar?
O payback é o tempo que a economia na conta leva para devolver o que você pagou no sistema. A conta tem quatro passos:
- Tamanho do sistema. kWp = consumo mensal ÷ (HSP × 30 × 0,8). O HSP (horas de sol pleno) vem do CRESESB, e o 0,8 desconta as perdas.
- Investimento. kWp × 1.000 × R$ por Wp, mais os custos fixos (projeto, ART, homologação, deslocamento).
- Conta depois da energia solar. É o maior valor entre o custo de disponibilidade e o Fio B sobre a energia compensada (art. 655-I da REN 1.000 da ANEEL).
- Economia anual líquida. (conta antes − conta depois) × 12 − manutenção.
As premissas que usamos
- Preço: R$ 2,45 por Wp (média nacional do Radar Solfácil no 1º trimestre de 2026) mais R$ 1.500 de custos fixos, para não subestimar sistemas pequenos.
- Tarifa: B1 residencial convencional, sem tributos, dos dados abertos da ANEEL lidos em outubro de 2026: Enel São Paulo R$ 0,7894, Cemig R$ 0,9033 e Enel Ceará R$ 0,7017 por kWh. Como ICMS, PIS e Cofins ficaram fora, a economia real tende a ser maior.
- Sol: HSP com placa inclinada do CRESESB: São Paulo 4,64, Belo Horizonte 5,36 e Fortaleza 5,70.
- Consumo simultâneo: 30% da geração é usada na hora. Os outros 70% vão para a rede e voltam como crédito.
- Fio B: 28% da tarifa, a proporção da CPFL Paulista em 2026 (60% do Fio B = R$ 0,1239 por kWh). Cobrança de 60% em 2026, 75% em 2027, 90% em 2028 e, por precaução, 100% a partir de 2029.
- Ligação: 200 kWh monofásica (piso de 30 kWh), 400 kWh bifásica (50 kWh) e 800 kWh trifásica (100 kWh), pelo art. 291 da REN 1.000.
- Desgaste e manutenção: perda de geração de 0,8% ao ano e manutenção de 1,5% do investimento por ano, as mesmas premissas da simulação do Canal Solar.
- Tarifa congelada: não supusemos reajuste. Na vida real a tarifa sobe e o retorno fica mais curto.
Quanto economiza e em quanto tempo se paga em cada capital?
| Cidade e consumo | Sistema | Investimento | Conta antes | Conta em 2026 | Conta a partir de 2029 | Payback | Saldo em 25 anos |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| São Paulo, 200 kWh | 1,8 kWp | R$ 5.910 | R$ 157,88 | R$ 23,68 | R$ 33,71 | 4,0 anos | R$ 26.588 |
| São Paulo, 400 kWh | 3,6 kWp | R$ 10.320 | R$ 315,76 | R$ 39,47 | R$ 67,43 | 3,4 anos | R$ 55.334 |
| São Paulo, 800 kWh | 7,2 kWp | R$ 19.140 | R$ 631,52 | R$ 78,94 | R$ 134,85 | 3,1 anos | R$ 112.731 |
| Belo Horizonte, 200 kWh | 1,6 kWp | R$ 5.420 | R$ 180,66 | R$ 27,10 | R$ 35,34 | 3,1 anos | R$ 33.214 |
| Belo Horizonte, 400 kWh | 3,2 kWp | R$ 9.340 | R$ 361,32 | R$ 45,16 | R$ 70,68 | 2,6 anos | R$ 68.619 |
| Belo Horizonte, 800 kWh | 6,3 kWp | R$ 16.935 | R$ 722,64 | R$ 90,33 | R$ 148,19 | 2,4 anos | R$ 137.424 |
| Fortaleza, 200 kWh | 1,5 kWp | R$ 5.175 | R$ 140,34 | R$ 21,05 | R$ 27,49 | 3,9 anos | R$ 24.396 |
| Fortaleza, 400 kWh | 3,0 kWp | R$ 8.850 | R$ 280,68 | R$ 35,09 | R$ 54,98 | 3,3 anos | R$ 50.952 |
| Fortaleza, 800 kWh | 5,9 kWp | R$ 15.955 | R$ 561,36 | R$ 70,17 | R$ 116,94 | 2,9 anos | R$ 102.440 |
Três leituras da tabela. Primeiro: Belo Horizonte ganha, porque junta muito sol com a tarifa mais cara das três. Segundo: Fortaleza tem o melhor sol, mas a tarifa da Enel Ceará é a mais baixa, e o retorno fica parecido com o de São Paulo, que tem menos sol e tarifa intermediária. Terceiro: casa grande se paga mais rápido, porque os R$ 1.500 fixos e o piso de disponibilidade pesam menos.
Repare também que, em 2026, a conta depois da energia solar é exatamente o custo de disponibilidade nos nove casos. Com 60% do Fio B, a cobrança sobre a energia compensada ainda fica abaixo do piso. Ela só passa do piso a partir de 2027 ou 2028, conforme o caso.
Faça a mesma conta com a sua cidade e o seu consumo:
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Quanto pesa o custo de disponibilidade?
O custo de disponibilidade é o mínimo que toda unidade do grupo B paga, com ou sem placa. Pelo art. 291 da REN 1.000, ele equivale a 30 kWh no monofásico (ou bifásico a dois condutores), 50 kWh no bifásico a três condutores e 100 kWh no trifásico. Famílias do CadÚnico com geração própria pagam metade desse piso.
Duas consequências práticas:
- Ele limita a economia de quem consome pouco. Uma casa trifásica de 200 kWh nunca vai pagar menos que 100 kWh. A economia máxima possível é de metade da conta.
- Ele não é mais cobrado em dobro. Para a GD II, você paga o maior entre o piso e o faturamento com Fio B, não os dois somados. Por isso, dimensionar o sistema para "sobrar" o piso, como se fazia antes de 2023, deixou de fazer sentido. Hoje o certo é dimensionar pelo consumo total.
E se o orçamento vier mais caro ou o Fio B for maior?
A média de R$ 2,45 por Wp esconde muita variação. Testamos dois cenários piores:
| Cidade e consumo | Cenário base | Preço 40% maior | Fio B de 40% da tarifa |
|---|---|---|---|
| São Paulo, 200 kWh | 4,0 | 5,4 | 4,4 |
| São Paulo, 400 kWh | 3,4 | 4,8 | 3,7 |
| São Paulo, 800 kWh | 3,1 | 4,5 | 3,4 |
| Belo Horizonte, 200 kWh | 3,1 | 4,1 | 3,3 |
| Belo Horizonte, 400 kWh | 2,6 | 3,6 | 2,8 |
| Belo Horizonte, 800 kWh | 2,4 | 3,3 | 2,5 |
| Fortaleza, 200 kWh | 3,9 | 5,2 | 4,2 |
| Fortaleza, 400 kWh | 3,3 | 4,5 | 3,5 |
| Fortaleza, 800 kWh | 2,9 | 4,1 | 3,2 |
O preço do sistema mexe muito mais no retorno do que o Fio B. Por isso, pedir três orçamentos e comparar o R$ por Wp vale mais do que qualquer discussão sobre a Lei 14.300. O caso extremo de Fio B é o Pará. Com a tarifa da Equatorial Pará (R$ 1,0432 por kWh) e o Fio B perto de 50% da tarifa, como no levantamento do Canal Solar com dados de 2022, uma casa de 400 kWh em Belém ainda se paga em 2,8 anos, porque a tarifa é a mais alta do país. A conta mensal, porém, sobe de R$ 87 em 2026 para R$ 147 a partir de 2029. Detalhes no guia da Lei 14.300 e Fio B.
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Quanto custa manter um sistema solar?
Reservamos 1,5% do investimento por ano, de R$ 78 a R$ 287 por ano nos nossos exemplos. Esse dinheiro cobre:
- Limpeza das placas, com água e pano macio, quando a sujeira estiver visível. Em região de poeira ou perto de estrada de terra, a cada 3 a 6 meses. Se o telhado é alto ou inclinado, contrate quem tem equipamento de trabalho em altura.
- Inspeção elétrica de conectores, string box e aterramento a cada um ou dois anos.
- Reserva para o inversor, a peça que mais costuma ser trocada em 25 anos.
Acompanhe a geração mensal no aplicativo do inversor e compare com o mesmo mês do ano anterior. Queda de mais de 10% sem motivo de clima pede visita técnica.
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E se eu financiar a energia solar?
Financiar muda a pergunta: em vez do payback, compare a parcela com a economia mensal. No exemplo de São Paulo com 400 kWh, o sistema de R$ 10.320 economiza cerca de R$ 263 por mês no primeiro ano. Em 60 parcelas:
- a 1,2% ao mês, a parcela é de R$ 242: a economia paga a parcela e sobra um pouco;
- a 1,8% ao mês, a parcela é de R$ 283: você paga uns R$ 20 por mês do bolso por cinco anos;
- a 2,5% ao mês, a parcela é de R$ 334 e o total pago chega a R$ 20 mil, quase o dobro do preço à vista.
Regra prática: se a parcela passar da economia mensal, ou negocie juros menores, ou junte dinheiro e compre à vista.
Quando energia solar NÃO vale a pena?
- Consumo baixo, perto do piso. Com 100 a 150 kWh por mês e ligação bi ou trifásica, a economia possível é pequena. Comece pelo chuveiro, pela geladeira e pelos hábitos (veja economia de energia).
- Telhado com sombra de árvore, prédio, caixa d'água ou platibanda na maior parte do dia. Sombra parcial numa placa derruba a fileira inteira, a menos que o projeto use otimizadores ou microinversores.
- Telhado que precisa de reforma. Faça a reforma antes. Tirar e recolocar as placas depois custa caro.
- Mudança em menos de 3 a 4 anos, sem poder levar o sistema ou valorizar o imóvel na venda.
- Imóvel alugado, sem acordo com o dono.
- Parcela de financiamento maior que a economia por muitos anos.
- Você precisa de energia na queda de rede. On-grid não resolve isso. Veja o guia de off-grid e híbrido.
Para o panorama completo (tipos, instalação, aquecedor solar), volte ao pilar energia solar. Se o seu maior gasto é banho, compare antes com a calculadora de aquecedor solar.
Perguntas frequentes
Em quantos anos a energia solar se paga em 2026?
Nas nossas simulações, de 2,4 a 4 anos para casas de 200 a 800 kWh por mês em São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza, já com o Fio B. Com um orçamento 40% acima da média, de 3,3 a 5,4 anos.
Qual é o consumo mínimo para valer a pena?
Não há número oficial, mas abaixo de uns 150 kWh por mês a economia fica pequena, porque o custo de disponibilidade (30, 50 ou 100 kWh) continua sendo cobrado e o custo fixo da instalação pesa mais.
A Lei 14.300 acabou com a vantagem da energia solar?
Não. Ela reduziu a economia, sobretudo a partir de 2028, mas o preço do sistema caiu bastante. No nosso exemplo de São Paulo com 400 kWh, a conta depois das placas sobe de R$ 39 em 2026 para R$ 67 a partir de 2029, contra R$ 316 sem energia solar.
A energia solar valoriza o imóvel?
Costuma ajudar na venda, porque o comprador herda a conta baixa e, se o sistema é GD I, a regra antiga até 2045. Guarde o projeto, a ART, o parecer de acesso da distribuidora e as garantias para mostrar.
Vale mais a pena energia solar ou aquecedor solar?
Se a casa tem chuveiro elétrico e o orçamento é curto, o aquecedor solar costuma ser o primeiro passo, porque corta o consumo mais concentrado da casa. Se a conta é alta por causa de ar-condicionado, geladeira e outros aparelhos, o sistema fotovoltaico rende mais.
Os produtos deste guia
Fontes e normas
- CRESESB/CEPEL, SunData v3.0 (HSP das capitais)
- Cenário Energia, Radar Solfácil: preço do Wp residencial no 1º trimestre de 2026
- Lei nº 14.300/2022, arts. 13, 26 e 27
- ANEEL, REN nº 1.000/2021, texto compilado (arts. 291 e 655-I; cópia publicada pela Cemig)
- Canal Solar, tarifação do Fio B (peso por distribuidora e premissas de manutenção e degradação)
- Canal Solar, consumidores passam a pagar 60% do Fio B em 2026
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